21 de Maio – CUIDADO COM A AUTOMEDICAÇÃO

30 milhões de pessoas sofrem com dores de cabeça no Brasil

A automedicação apenas piora o quadro clínico,alerta a Academia Brasileira de Neurologia

Quem nunca sentiu uma dor de cabeça? Desde aquela que incomoda um pouquinho até a que temos vontade de cortar a cabeça fora.?Uma crise de enxaqueca pode ser terrível e acabar com seu humor, com seu dia, com seu passeio.

Segundo o departamento de Cefaléia da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), cerca de 30 milhões de pessoas sofrem com dores de cabeça no Brasil. De acordo com as estatísticas, 93% da população em geral já teve dor de cabeça em alguma época da vida, sendo que 31% precisaria de tratamento médico adequado em razão da incapacidade funcional que as crises causam.

As mulheres são as que mais sofrem com os males: 76% relatam pelo menos uma dor de cabeça ao mês, contra 57% dos homens. As crianças também sofrem com os sintomas, e não é “manha” como muitos pais dizem. Entre crianças, 39% aos 6 anos já sabem o que é ter dor de cabeça, e aos 15 anos, 70%.

Infelizmente, uma grande parte dos portadores de cefaléia acaba se acostumando com esse mal e incorporando ao seu cotidiano, encarando-o como inevitável e abusando do uso de analgésicos. Essas medicações, na maioria das vezes são prescritas por balconistas de farmácias, vizinhos ou amigos, podem não só piorar como cronificar uma dor de cabeça que era esporádica.

“O problema é que a pessoa pode mascarar alguns sintomas e encobrir a doença que ela realmente tem”, alerta Célia Roesler, coordenadora do Departamento de Cefaléia da ABN. Ela explica que isso acontece pois as cefaléias podem ser primárias (quando é a doença em si) ou secundárias – quando surge como apenas mais um sintoma de outra doença (exemplo sinusite, meningite).

A fisioteraupeta Evellize Ferreira procurou três médicos diferentes para saber o que estava acontecendo. “Fui no oftalmologista, no otorrinolaringologista e no neurologista, já não agüentava mais as crises. Não saía de casa, não conseguia estudar. Só queria ficar no escuro, dormindo”. De acordo com Evellize o tratamento levou cerca de dois anos e hoje ela só sentes dores de cabeça quando sai da linha. 

“Não posso comer chocolate, enlatados ou qualquer coisa com conservante, mas às vezes fujo da dieta e tomo os remédios que o médico receitou após o tratamento”. A fisioterapeuta afirma que por atuar na área de saúde, nunca se automedicou devido aos riscos

Um diagnóstico correto levará a um tratamento adequado. A doutora Célia informa que o indivíduo deve procurar tratamento quando as dores passam a ser frequentes e atrapalhar a rotina. “Nos adultos pode haver danos no trabalho, na vida social, ansiedade, depressão. Já as crianças podem apresentar terror noturno, dificuldade de aprendizado, fazerem xixi na cama. É por isso que cada paciente deve ser tratado de acordo com seus problemas”, afirma.

Ainda de acordo com a coordenadora do Departamento de Cefaléia existem dois tipos de tratamento: o preventivo é feito para evitar as crises, com uso diário de remédios e pode levar até 5 anos. Já o que aborta as crises, faz uso de medicamentos triptanos (são vasos constritores) que atuam na serotonina cerebral.

“ O uso desses medicamentos na forma de sublinguais, spray nasal e injeção subcutânea agem de maneira mais eficaz e acabam mais rápido com a dor”, diz Roesler.

Dessa forma, é importante a população ter conhecimento que a maioria das dores de cabeça exige um tempo longo de tratamento para se chegar a um resultado satisfatório. “Não dá para se admitir mais o fato de o paciente ‘conformar-se com a dor’ e nem a automedicação, que poderá resultar em outros problemas de saúde, até mesmo mais graves”, explica Célia. 

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