26 de Maio – OS HERÓIS MORREM

Escritor e psiquiatra Roberto Freire morre aos 81 anos em SP
O corpo do escritor e psiquiatra Roberto Freire foi cremado, ao meio-dia deste sábado (24), no cemitério da Vila Alpina (zona leste de São Paulo). Ele morreu, ontem, no hospital Sírio-Libanês, na Bela Vista (região central da capital), onde estava hospitalizado.

Escritor Roberto Freire, autor de “Cleo e Daniel”, posa em 1966
A família não divulgou a causa da morte, informou a somaterapeuta Vera Schroeder, que trabalha no Instituto Brasileiro de Estudos de Soma, terapia criada por Freire na década de 70 com proposta anarquista. Ela citou apenas “falência múltipla dos órgãos”. Segundo ela, Freire estava internado há mais de duas semanas.
Biografia
Em 2003, o autor lançou a autobiografia “Eu É um Outro”, na qual contou suas histórias.
“Eu só falei de amor em toda a minha vida, nos 25 livros que publiquei, mas não tenho a menor explicação para ele [o amor]”, disse na época à Folha o autor de romances como “Cleo e Daniel” (1966) ou do ensaio “Sem Tesão Não Há Solução” (1990), obras que invocam o “amor libertário”, “revolucionário”.
Freire foi casado com a médica Gessy Freire, e deixou três filhos: Pedro, Paulo e Roberto. O médico e escritor tinha uma ligação forte com o teatro.
Durante a estada como cientista em Paris, entre 1952-54, extensão da formação de médico, ele conheceu o crítico Sábato Magaldi. Na volta ao país, foi convidado por Alfredo Mesquita a lecionar na Escola de Arte Dramática (EAD) da USP.
Freire escreveu peças, conviveu com nomes do teatro como Antunes Filho, Flávio Rangel, Plínio Marcos e Flávio Império, além de dirigir espaços como o TBC e o Tuca.
Na imprensa, atuou no jornal “Brasil Urgente” e nas revistas “Realidade” e “Caros Amigos”, da qual se desligou por discordar da linha editorial. Na política, juntou-se aos militantes da Ação Popular, por uma revolução socialista.
Freire foi preso e torturado durante a ditadura. Ele atribuía aos “telefones” (tapas simultâneos nos ouvidos) a causa que, anos depois, cegou-lhe o olho direito.
“Sempre fui um cara muito ativo, muito criativo, viajante, movido pela paixão. Agora, na velhice, as doenças me imobilizam. Hoje, por exemplo, sou impotente para escrever, que é o que mais gosto de fazer”, disse à Folha, em 2003.
Ao escrever suas memórias, então com 77 anos, ele falou: “Fiz uma história simples, de um cidadão brasileiro.”

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