30 de Setembro – CARÊNCIA = GRAVIDEZ

Crescem casos de gravidez entre jovens carentes

 

Apesar de o sistema público de saúde oferecer métodos anticoncepcionais, em alguns casos com pílula do dia seguinte e distribuição de preservativo nas escolas, adolescentes brasileiras, principalmente as mais pobres e menos escolarizadas, continuam engravidando precocemente. Para elas, ter um filho é uma maneira de chamar a atenção e mudar de vida. “Para essas jovens, a gravidez é um projeto de vida”, diz Theresa de Lamare, coordenadora da área de Saúde do Adolescente do Ministério da Saúde.

 

Nos últimos anos, pesquisadores têm alertado para um “rejuvenescimento” da fecundidade no País, isto é, em um período de queda na taxa de fertilidade geral, houve uma concentração de gravidez de garotas entre 15 e 19 anos – aumentou três vezes desde a década de 1970. A maioria dos casos ocorreu na camada mais pobre, mostra estudo inédito feito com dados dos Censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Ministério da Saúde destaca que, com a queda de gravidez em geral, as adolescentes têm representado uma maior fatia do total.

 

Na última semana, marcada pelo Dia Mundial da Prevenção da Gravidez na Adolescência, a Síntese de Indicadores Sociais, do IBGE, mostrou que a proporção de jovens de 15 a 17 anos com filhos estava em 6,3% em 2007, patamar semelhante ao de 1997. Esse índice, porém, trabalha com a população estimada.

Ainda segundo dados do ministério, 40% das adolescentes que dão à luz voltam a engravidar em até três anos, em um cenário que envolve, mais do que informação e acesso a anticoncepcionais, conscientização e expectativas de vida. Segundo Maria Luisa Heilborn, coordenadora do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos (Clam), 40% das meninas que engravidaram já estavam fora da escola. “Ela reproduz o modelo de ser dona de casa, onde ter um filho é uma realização.”

 

Ou seja, para jovens que saíram da escola e não conseguem visualizar um futuro, ser mãe representa importante estratégia de conquista de autonomia em relação à família e uma forma de realização. Nessa situação, permanecer estudando parece ser um antídoto contra gestações. “É preciso entender que grupos sociais são muito diferentes em relação à maternidade. Nas classes baixas, a família fica feliz quando aparece um bebê. Na classe média, ou a menina aborta ou a família tenta assumir e ajudar a menina a estudar”, explica a pesquisadora, que enfatiza a necessidade de campanhas e projetos entenderem essa lógica.

“Pais e sociedade precisam entender que a sexualidade do jovem existe. Enquanto negarem isso ou pregarem a abstinência, continuarão com uma visão ingênua”, diz Maria Helena Vilella, do Instituto Kaplan, que desenvolveu projeto para escolas públicas.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: