Archive for the ‘Teologia’ Category

11 de Agosto – UM BOM ARTIGO – UNICRISTÃ

agosto 11, 2008

Unicristã – Novos Cursos ; www.unicrista.com.br

Escrito por Leonardo Boff  

 

Economia de revolução?

 

Notou-se algo de cruel nas negociações da rodada de Doha acerca do comércio internacional. Enquanto os países ricos se negavam a diminuir os subsídios agrícolas e modificar outros itens da agenda comercial para preservar seu alto nível de consumo, outros lutavam, desesperadamente, para garantir a sobrevivência de seus povos. A visão dos paises opulentos é míope, pois já se instalou a crise alimentar, possivelmente de longa duração, podendo afetar a eles, mas muito mais a milhões e milhões de pessoas, confrontadas não com a pobreza mas diretamente com a morte. Já estouraram revoltas de famintos em quarenta paises sem que a imprensa empresarial, comprometida com a ordem imperante, tivesse feito qualquer referência. Os famélicos sempre metem medo.

 

 

A crise alimentar é de tal envergadura, associada aos transtornos advindos das mudanças climáticas, que nos é permitido falar da urgência de uma revolução. Esta palavra foi usada no dia 2 de fevereiro de 2007 em Paris pelo ex-presidente francês Chirac ao ouvir os resultados alarmantes sobre o aquecimento global. Advertia ele que, face à atual situação, devemos tomar a palavra revolução, no seu sentido mais literal. É urgente fazer mudanças radicais nas formas de produção e de consumo, caso quisermos nos salvar e preservar a vida em nosso Planeta. Desta vez não podemos fazer economia de revolução. Há implementa-la já agora.

 

Evidentemente não  se trata de revolução no sentido da utilização de violência, mas no sentido que lhe conferiu nosso historiador Caio Prado Jr:  “transformações capazes de estruturar a vida de todo um sistema social de maneira consentânea com as necessidades mais profundas e gerais de suas populações, algo que confere um novo rumo às vidas humanas”.

 

Pois é isso que está se impondo a nível mundial. A Organização Mundial do Comércio, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e a maioria dos governos implantaram um tipo de industrialização da agricultura com a liberalização dos mercados que se regem pela competição e pela especulação, que acabaram por afetar a soberania alimentar da maioria dos paises no mundo. É ilusão pensar que aqueles que produziram a crise, têm a chave de sua solução. Eles propõem mais do mesmo: mais produção, mais fertilizantes, mais transgênicos, mais mercado não para saciar a fome mas para fazer mais dinheiro. Ninguém pensa em colocar mais dinheiro na mãos dos famintos para poderem comprar comida e sobreviver. Podem morrer de fome diante de uma mesa farta à qual não tem acesso.

 

A solução se encontra nas mãos daqueles que no mundo inteiro garantem grande parte do suprimento alimentar: a agricultura familiar e as pequenas cooperativas  populares. A agricultura familiar no Brasil representa 70% dos alimentos que chegam à mesa. Ela é responsável por 67% do feijão, 89% da mandioca, 70% dos frangos, 60% dos suínos, 56% dos laticíneos, 69% da alface e 75% da cebola. Estes pequenos agricultores, articulados entre si e também em nível internacional, devem formular as políticas de produção, privilegiar os mercados locais e regionais e manter sob vigilância os mercados mundiais para inibir a especulação e impedir a formação de oligopólios.

 

Este  tipo de agricultura aproveita os conhecimentos ancestrais, sabe preservar os solos e enriquecer sua fertilidade com nutrientes naturais. O Brasil, ao lado do agronegócio, tem que priviligiar a agricultura familiar, pois ela tem condições de garantir nossa soberania alimentar e de ser a mesa posta para as fomes do mundo inteiro.

01 de Agosto – PALAVRA DO DIA

agosto 1, 2008

Dr. José Roberto Cristofani
UniCristã – Universidade Cristã Livre
www.unicrista.com.br
unicrista@unicrista.com.br
11 – 3938 2100
Estudos de gênero na igreja… mas pra quê isso?

Ms. Lília Marianno

Quatro anos atrás, numa aula de história do cristianismo, já não lembro que “cargas d’água” nos levaram a falar de sexualidade e religiosidade na sala de aula, numa turma de 2º período de teologia em um seminário aqui no Rio de Janeiro. O assunto rendeu, o povo se empolgou e surgiu a idéia de oferecermos uma disciplina chamada “Hermenêutica de Gênero”, como cadeira eletiva, no semestre seguinte.
Qual não foi nossa surpresa quando vimos que 80% dos alunos daquela instituição haviam se matriculado para cursar a tal disciplina! Nosso objetivo era analisar como os diferentes gêneros compreendem o texto bíblico e o interpretam, e nesta linha determinar também quais são suas principais ênfases. A experiência foi muito boa. Temas como sexualidade, homossexualidade, machismo, feminismo, relações de poder, corporeidade, subjetividades, dentre tantos outros começaram a entrar no debate como componentes oficiais de um conteúdo programático daquela instituição. Saímos daquele semestre bastante pensativos, refletindo sobre como nossas igrejas estão despreparadas para lidar com assuntos deste campo. Ficou o gostinho bom e a esperança de um dia podermos repetir a experiência. E foi assim “manhã e tarde” o primeiro semestre
No ano seguinte um outro seminário  nos contatou para introduzir a mesma disciplina para uma turma de 5º período, mas por uma questão de configuração de curso, desta vez não nos limitamos a trabalhar a interpretação bíblica, mas avançamos nos postulados teóricos de uma teologia de gênero que passasse pelos segmentos feminista, queer e de masculinidade. E a disciplina ganhou outro nome: Teologia e Gênero. A segunda experiência foi melhor do que a primeira. A sala de aula virou um espaço para debatermos sérias questões da ética eclesiástica sobre sexualidade e interpretação bíblica. Os “pais da igreja” e os escolásticos vieram “nos visitar” com alguns de seus argumentos mais fortes e o resultado foi uma turma de estudantes, em sua maioria homens, que começou a pensar no quanto é sério para a vida de um pastor estudar um campo como o dos estudos de gênero. “E foi a manhã e a tarde” do segundo semestre.
Novo ano começou, desta vez, talvez por teimosia do meu coordenador na segunda escola, e que agora também era o coordenador nesta outra escola, me veio o convite: “você poderia ministrar Teologia e Gênero para tal turma?” fiquei animada com a terceira oportunidade, e nem mesmo levei em conta alguns fatores.Primeiro, 50% da turma era de pessoas acima dos 45 anos. Diferente das outras duas faculdades, que eram de público majoritariamente batista, esta terceira instituição de caráter ecumênico também contava com alguns alunos católicos. Era a maior das três turmas desta empreitada. E as resistências ao estudo do tema começaram a ficar evidentes. Tão evidentes que cheguei pensar ter sido um erro apresentar uma proposta assim naquela insitiuição. Mas pela graça de Deus, os “escudos” foram baixando e aos poucos os estudantes começaram a perceber a seriedade da questão. A partir da metade do semestre engrenamos numa discussão tão frutífera que resultou num almoço de confraternização da turma na minha casa, para criar uma oportunidade para ouvir aquele que é diferente de nós. Saímos todos muito admirados conosco mesmos. Os considerados “desviantes” por terem pela primeira vez a oportunidade de poder se expressar na frente dos “normativos”. E os “normativos” cada vez mais admirados de ver que os “desviantes” eram tão semelhantes a nós mesmos. E foi “a manhã e a tarde” do terceiro semestre
Enquanto isso a redatora de uma revista de EBD de uma certa convenção de igrejas, trazendo um antigo desejo no coração, me propôs: vamos escrever um trimestre de Bíblia e Gênero para EBD? Fiquei animada e receosa, afinal, será que o nosso povo estaria preparado para abordar tal tema? Mas a necessidade de uma revisão da teologia neste campo é tão urgente, principalmente no que diz respeito à práxis pastoral… “Ok, vamos lá”. E fomos mesmo! Engajamos no projeto de construção de um currículo de estudos para EBD sobre “Homens e mulheres da Bíblia”, um enfoque de gênero sobre a ética nos relacionamentos. Logo que publicada a revista atingiu um total de 1200 igrejas, um público estimado de 10.000 pessoas. E as reações começaram.
Como em qualquer ambiente eclesiástico, a ortodoxia “remexeu na cadeira” tamanho o desconforto que o tema nos causava, levantando questionamentos muito profundos sobre uma ética bíblica para nossos relacionamentos pessoais, familiares e eclesiásticos. A redação da revista foi bombardeada com e-mails e aqui na minha caixa, eu também fui. Felizmente o percentual foi muito favorável. Das mensagens que recebi pessoalmente, 90% estavam elogiando a ousadia da iniciativa e parabenizando a redação da revista pela dinâmica proposta. Segundo os relatos destes irmãos, um grande rebuliço aconteceu nas EBDs. As classes voltaram a encher, a revista esgotou, muita polêmica e debate nos estudos, alguns irmãos mais conservadores ficando divididos entre a indignação com o tema e o reconhecimento da necessidade do mesmo… Fim de trimestre! Alguns insatisfeitos, a grande maioria com o ânimo renovado para estudar a Bíblia. E foi “manhã e tarde’ do quarto semestre.
Neste momento estamos no “5º dia”.  Estamos incentivando alunos de uma turma de um grande seminário a criarem grupos de discussão de Bíblia, espiritualidade e masculinidade. A proposta está vingando e os seminaristas estão se reunindo para se apascentarem para abrirem o coração, para estabelecerem intimidade quando isso é tão difícil entre homens. O diretor de uma instituição nos convocou para ministrarmos esta mesma disciplina em Belém do Pará. Temos uma EBD temática em nossa igreja onde o tema está sendo debatido com dinâmicas de grupo e etc.
Logicamente a metáfora com os dias da criação não querem senão apontar para algo muito bom que Deus está fazendo na vida da igreja, na comunhão entre os crentes através do estudo destes temas nos locais por onde temos passado. Os estudos de gênero, por nos disciplinarem a entrarmos na ótica do outro para entender sua situação, estão nos propondo um jeito mais relevante de sermos cristãos.
Devemos lembrar que em tempos de modernidade (ou pós-modernidade – nunca sei em qual deles estamos), o individualismo, o hedonismo, a superficialidade dos relacionamentos e a obsolescência dos valores no campo da ética traz desafios gigantescos para um cristão que deseja viver a vontade de Deus neste mundo conturbado. A humanidade nunca precisou tanto de “bons-exemplos” quanto nos dias atuais. Se acreditamos que o brilho de Cristo é o que dissipa toda treva através de sua luz, e realmente cremos que isso é, não apenas transformador, mas verdadeiramente revolucionário, deveríamos estar mais engajados em atividades que envolvem um ser humano em direção a outro, pois  apenas no contato da luz com as trevas é que se pode contemplar um rosto, é que se pode enxergar o ser humano que está ali, tão carente e necessitado de esperança e motivo para continuar vivendo.

Tem sido enorme o número de famílias desmontadas pelo divórcio, pela impossibilidade de duas pessoas continuarem caminhando juntas, de conseguirem traçar objetivos comuns e viver uma vida de dedicação mútua, um ao outro, construída na forte base do amor e não do egoísmo e do interesse próprio. Grande tem sido o número de casais que optaram por não terem filhos por acharem demasiadamente difícil criar um ser humano e “entregá-lo” à sociedade para viver a vida com fortes valores entranhados em sua personalidade. Grande também é a quantidade de lares cristãos que estão sendo fragmentados porque filhos e pais não conseguem se entender, porque em algum momento as relações de lealdade familiar se transformaram em disputas de poder e brigas de autoridade. Como se torna necessário falar sobre relacionamentos nestes dias! E relações de gênero são as “molas” principais desta engrenagem.
Sendo a família a estrutura básica da igreja, os problemas que afetam os lares também afetam o rebanho de Cristo. Tem sido muito difícil conseguir preservar os valores bíblicos dentro da própria igreja. Uma teologia que admita o sofrimento como componente inevitável de nossa vida na terra, mas miraculosamente pedagógico no trato pessoal do nosso Deus com seus filhos tem sido trocada por teologias da prosperidade e da auto-ajuda. Não se ensina mais aos crentes, diante de conflitos pessoais na igreja, encararem-se mutuamente e, seguindo a verdade bíblica, em amor, solucionarem seus conflitos através da confissão, do perdão e da reconciliação. O sucesso triunfante é garantido para todos aqueles que “tomam posse”, “reivindicam restituição’” em nome de Jesus. Estranha esta teologia que incentiva os servos (cujo nome já mostra o que somos; servos= pessoas que nada possuem) a terem posses, exigirem restituição …
Uma teologia bíblica para relacionamentos pessoais exige renúncia, despojamento, entrega, determinação por viver um cristianismo cheio de essência. Vivemos um tempo de isolamento, o cristianismo pede comunhão em congregação. Vivemos um tempo de indiferença, o cristianismo exige que atentemos para o outro. Vivemos um tempo de uma ênfase exagerada na auto-estima e na super-valorização de si próprio, o cristianismo requer de nós amar o outro como amamos a nós mesmos! A essência do propósito da vida da igreja  passa na contramão dos valores do presente século.
Estudos de gênero na igreja… mas pra quê isso? Pra que a gente não se perca no caminho traçado por Deus para a vida da comunidade cristã no meio de um mundo que agoniza em dor e sofrimento por falta de gente que lhes apresente, com a própria vida, a VIDA!

Vamos pensar nesta proposta?

30 de Julho – APRENDA A LER A BÍBLIA

julho 30, 2008

BRIAN – Quais São as Formas de Ler a Bíblia?       

Escrito por Prof. Brian

 

 

A leitura da Bíblia na Igreja se dá, tradicionalmente, em níveis distintos. Segundo SILVA (2003:26-30), dentre os diversos níveis de leitura usualmente adotados para a leitura de um texto bíblico, tem-se:

 

A leitura orante: é a leitura sob os passos da “lectio divina”: o texto, tido por sagrado, é lido, partilhado, alvo de meditação, partilha, oração, contemplação e ação.

A leitura litúrgica: é a leitura feita no culto cristão. Exige o conhecimento prévio da “história da salvação”, de forma que o cultuante faça a ligação entre o passado salvífico, o presente e o futuro escatológico.

A leitura catequética: pressupõe um conhecimento maior que o necessário na leitura litúrgica. São fundamentos que atualizam a experiência de fé, formando assim o intelecto e a vontade sob os princípios cristãos.

 

A leitura teológica: requer, além dos conhecimentos anteriores, o conhecimento da teologia bíblica e dos autores cristãos posteriores, que formaram o mosaico da teologia cristã.

A leitura exegética: a leitura exegética procura a compreensão do texto a partir do próprio texto. Para tanto, são analisadas as intenções, a forma literária, as relações formais intratextuais e intertextuais etc.

 

Quer aprimorar a sua leitura da Bíblia? Faça o curso de hermenêutica da UniCristã!

 

Um grande abraço,

 

Brian Gordon Lutalo Drumond Kibuuka

 

http://estudosnonovotestamento.blogspot.com/